Publicado por: sivaldop | Fevereiro 23, 2008

O coast-to-coast ou… sofrendo na estrada

 

 

 

No final do ano passado, tirei férias de 20 dias, quando acabou o trimestre aqui (recesso de natal e ano novo). Eu e Juli, que também tava de férias, combinamos então de passar o natal e reveillon juntos em Nova York e depois viajar pra Boston e New Hampshire. Eu, que estou na costa do Pacífico, teria que atravessar o continente para costa do Atlântico. Como eu queria ver o país por terra (e não apenas pegar um vôo em Seattle e descer em Nova York) então havia a opção de ir de ônibus. Seria, sem dúvida, uma das viagens rodoviárias mais longa que fiz na vida até hoje: 3 dias, 3 noites. Sabia que ia ser cansativo, mas supunha que no final, valeria a pena (sem contar que economizaria uma boa grana já que as passagens aéreas no período estavam bem caras por causa da demanda de fim-de-ano). Assim decidi mesmo ir ônibus, porém, a volta seria de avião . O meu trajeto de ida (por terra) foi mais ou menos esse:

 

map_trip_sivas2.jpg

 

O sistema de transporte rodoviário norte-americano é perfeito para quem viaja de carro. As “interstates” (que corresponde às nossas “br’s, digamos) são absolutamente impecáveis, sem buracos, expressas, bem sinalizadas e com pista duplicadas em 95% do trajeto que fiz no coast-to-coast. Não significam risco de vida, como acontece no Brasil (e como nem tudo é perfeito: muitos pedágios no caminho…). Mas, se você viaja de ônibus comercial, a coisa começa a ficar menos divertida. Eu estava preparado para um viagem longa e cansativa. Já fiz algumas muitas viagens de bus cruzando o Brasil (algumas, longas.. de quase 3 dias também… coisa que deixei de fazer há muito tempo). Mas não sabia que seria tão exaustiva. Primeiramente irei aos contras (este é um post de lamúrias…). Depois, num outro post, falarei apenas das curiosidades da viagem e das coisas interessantes. A questão é simples: o sistema de transporte rodoviário comercial (ônibus) nos EUA não é tão organizado quanto o nosso em se tratando de longas distâncias. Pois é… se você acha o nosso sistema ruim, então pague pra sofrer no sistema americano. Obviamente que a minha experiência vem de apenas uma empresa (aliás, uma das maiores) e em um período de rush (final de ano). Mas independente disso, a coisa é problemática. Primeiramente, nem sempre você tem um assento reservado no seu bilhete de passagem (a não ser que você queira pagar a mais por isso). Então você pega o assento que lhe convir (a depender da sua “posição”na fila de embarque). Segundo, em uma viagem longa como eu fiz, a troca de ônibus é insuportável. No Brasil você eventualmente troca de ônibus neste tipo de viagem. Aqui, você precisa pegar suas bagagens, sair do ônibus e esperar o outro pelo menos umas 3 vezes durante o dia. Isso parece um detalhe mas não é: quando você sabe que vai viajar durante 3 dias então você adota aquela poltrona como lar provisório, relaxa, ouve música, dorme, acorda, dorme de novo… e faz o tempo passar. Mas se torna impossível relaxar quando você sabe que em 5 horas terá de trocar de ônibus. E há casos de ficar aguardando 1 hora (cheguei a esperar até 4 horas ) pelo outro veículo no terminal. Resultado: cheguei a Nova York em trapos humanos, pé inchado, costas danificadas e nunca pensei que iria ficar tão feliz de ver o Empire State no fundo da ilha de Manhattan (the last stop) e saber que eu tinha uma passagem aérea no bolso.

 


Respostas

  1. não acredito um negócio desse não, rapazzzz, sofri, daqui, sentada de frente ao computador no meu calorzinho baiano de meu Deus, toda essa sua maratona…tô de cara Sivas, cansativo demais….mas vc foi querer cruzar o país de uma vez só…

  2. caraio, sivaldo, mò trampo mesmo! tenha medo. Pensei agora naquela frase: “se num guenta, pra que veio?”.


Deixe uma resposta

Sua resposta:

Categorias