Publicado por: sivaldop | Fevereiro 25, 2008

On the road…

Deixando as lamúrias de viajante de lado, então falemos das peculiaridades, de algumas informações úteis e da paisagem neste coast-to-coast… Nem toda cidade norte-americana possui uma “rodoviária” que centraliza todas as saídas e chegadas de ônibus comerciais, do modo como conhecemos (algumas possuem, como Boston, Nova York etc. mas não parece ser uma regra como é no Brasil). Em boa parte das cidades que cruzei, as empresas é que possuem seus próprios terminais. Por isso, é recomendável se informar antes onde será a parada final do ônibus numa cidade “x” ou “y”. No caso de Nova York, o principal terminal rodoviário fica em (e chama-se) Port Authority, em Manhattan (a uma estação de metrô da Times Square). De Port Authority você consegue pegar metrô pra qualquer lugar da cidade. Em Boston, o principal terminal de ônibus é a South Station. Em Seattle, por exemplo, não há um terminal geral… Neste caso, a Greyhound, a empresa que peguei, tem um terminal próprio que fica na Downtown de Seattle (na Stewart Street).

 

Ao cair na estrada há alguns detalhes logísticos importantes: se você quer jantar ou almoçar “comida de verdade” durante a viagem, esqueça: só vai encontrar fast food em todo o trajeto (seja café-da-manhã, almoço ou jantar). Especialmente MacDonald’s: em qualquer lugar deste país, até mesmo no meio do deserto do Utah, encontra-se um MacDondald’s (devidamente padronizado). Chega a ser irritante. E, instintivamente, as pessoas comem isso durante toda a viagem e não parecem reclamar (eu comi, mas por pura falta de opção). Eis um típico posto de parada de beira de estrada norte-americano:

mac.jpg

 

Eu levei o laptop crente que, estando neste país, iria conseguir encontrar redes wi-fi na estrada pra conectar e, quem sabe, até escrever os posts durante o trajeto. Mas, pura ilusão: nenhuma rede aberta… nem mesmo um mísero computador de lan-house…nada. Então, se está pensando em mandar um e-mail da estrada, isso será uma tarefa árdua e praticamente impossível.

 

Entre uma parada e outra, ou melhor, entre um Macdonald’s e outro, havia, naturalmente, a paisagem. Como era inverno, peguei muita neve no caminho. Passei por pequenas cidades e vilarejos literalmente tomados pelo gelo:

 

 

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E o branco do inverno, majestoso e onipresente, cobria montanhas, pinheiro, lagos, rios e desertos. Aliás, uma paisagem inóspita, porém, belíssima:

 

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montanha_lago21.jpg

 

 

deserto1.jpg

 

Em alguns trechos do deserto havia um vento forte que batia na lateral do ônibus e era possível ver pequenas “tempestades” de neve atravessando a estrada, com visibilidade bem comprometida. Aqui sim, a rodovia se tornava um pouco perigosa. No entanto há sinalizações eletrônicas avisando e também era comum ver funcionários limpando o trajeto. Nos dois vídeos a seguir, duas paisagens diferentes. No primeiro, a região do estado Washington, com muitos pinheiros e montanhas… E no outro, o deserto entre os estados de Utah e Colorado:

 

 

 

 

Mas nem só de neve se fez o caminho. Havia também belíssimas formações rochosas:

 

 

rochosas1.jpg

 

 

deserto_montanha.jpg

 

 

Certamente, a existência de estações de ano bem definidas muda completamente o ambiente e a paisagem, o que tornaria a mesma viagem feita no outono ou no verão, por exemplo, totalmente diferente. Aliás, seriam outras fotografias. É interessante também notar (na verdade, lembrar) que ao falarmos de países como os EUA pensamos primeiramente em grandes metrópoles… cidades modernas… povoamento urbano intensivo. Mas boa parte do país é ocupado por cidadezinhas minúsculas perdidas no meio do gelo ou no meio do deserto, assim como há as nossas pequenas cidades perdidas no meio do Sertão, dos pampas ou da amazônia. Onde a vida passa lentamente… Interessante também ver a face dos viajantes. Conheci algumas figuras no caminho: um imigrante costarriquenho que vestia uma jaqueta com a bandeira dos EUA no ombro (e que dizia adorar este país…). Um artista da Philadelphia que estava voltando pra casa e que passava o tempo desenhando faces de indígenas norte-americanos (aliás, um belíssimo trabalho) e que parecia reclamar deste país; uma menina novaiorkina que morava no Missouri e que fumava dois cigarros seguidos em cada parada (como se quisesse estocar nicotina até o próximo break)… Um mochileiro que decidiu, de uma hora pra outra, ficar numa cidade e pegar o próximo ônibus… E cada um foi se dispersando no caminho. Ou por que tinha “itinerário” diferente (ainda que também fossem pra Nova York sendo obrigados a trocar de ônibus que fazia outro percurso) ou porque ficavam no caminho em seus respectivos destinos…E por falar em destino, no próximo post, escrevo sobre New York City.

 


Respostas

  1. ohh, fazia tempo que não passava por aqui…adorei.. :)


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