Antes de vir pra Seattle, pensei: o mundo anda mais esquizofrênico e catastrófico do que o normal: aquecimento global, mudanças climáticas, furacões devastadores, terrorismo, tsunams sem falar nos já conhecidos terremotos. Todas essas tragédias e calamidades acontecem, aconteceram ou podem acontecer aqui neste país (mais do que em qualquer outro lugar do mundo). No entanto, supus: Seattle não é Nova York nem Washington D.C. pra ser alvo número 1 de ataque terrorista… também não é a California que poderá ser devastada um dia por um possível terremoto de dimensões catastróficas. Também não estou em New Orleans e região que está cada vez mais na trilha de furacões e tempestades assoladoras. Então conclui matematicamente: estou probabilisticamente seguro. Mas, no fundo, há poucos lugares de fato seguro neste país. Pouco antes de chegar aqui descobri que a região de Seattle faz parte do chamado “Circulo de Fogo do Pacífico”: um segmento que envolve diversas regiões (ilhas, países e e pedaços de continentes) no oceano Pacífico que formam um semi-circulo de montanhas que na verdade são vulcões ativos ou adormecidos. Na região de Seattle, perto de Tacoma, ergue-se o onipotente monte Rainier. Uma montanha gigantesca cujo o cume guarda neve durante todo ano.

Esta grandiosa montanha é, na verdade, um vulcão adormecido que é monitorado 24 horas por aparelhos, técnicos, satélites e toda parafernalha hoje disponível. Segundo analistas, é bastante provável que o vulcão entre em atividade algum dia (não se sabe quando). Quando isso acontecer, poderá ser a maior catástrofe natural da história dos EUA em número de mortos (isso depende do quão antes os técnicos conseguiriam prever a erupção). No entorno do monte Rainier existem centros urbanos, com milhares de moradores, que precisariam ser evacuados imediatamente. Isso porque, como o vulcão possui grande quantidade de neve em suas encostas, sua erupção pode provocar aquilo que chamam de “lahar”: um “avalanche” de água quente (neve derretida), com larva, pedregulhos, restos de árvores que podem descer a montanha numa velocidade estimada de 100 a 120 km/hora e com temperatura interna em torno dos 500 graus celcius (isso se eu não tiver aumentando os números – riso). Então, não haverá vida no entorno atingido. O lahar não chegaria a Seattle, mas a cidade entraria em colapso literalmente: dia viraria noite, motores de carros e aviões não funcionariam por causa das cinzas da erupção, fornecimento de água e energia também seriam comprometidos, além dos problemas respiratórios que atingiria todos os moradores. Ou seja, é um dos lugares mais perigosos dos EUA (risos). Bom, como se não bastasse, descobri também que Seattle é constantemente monitorada pelo FBI porque é considerada uma porta de entrada para eventuais atividades terroristas. A cidade fica muito próxima do Canadá, principalmente de Vancouver: basta pegar um ferry boat e se cruza facilmente a fronteira (quase como ir de Salvador a Itaparica) .

Já houve inclusive prisão (anos atrás, pós 11 de setembro) de um homem (de origem árabe) que entrou nos EUA vindo do Canadá através de Seattle, portando um baú com fundo falso onde continha material para fabricação de bombas (o indivíduo, segundo o FBI, fazia parte de rede terrorista). E, para acabar a história, coincidentemente (ou nao) moro do lado de uma instituição judáica, um alvo preferido de Osama e e seus compadres. Pois é, mas viver implica em certos perigos. Aliás, correr risco é um privilêgio somente, tão somente, de quem está vivo. Porém, com um pouco de sorte, a gente vai se mantendo vivo.