Publicado por: sivaldop | março 24, 2008

New York City

Meus estudos por aqui acabaram. O “trimestre” de inverno se foi acabamos de entrar na primavera aqui no hemisfério norte. Deixei Seattle há 6 dias atrás e estou agora em San Francisco, na California me dando aí 1 semana por esta linda cidade com suas ladeiras, bondes e mar como backgroud pra qualquer lugar que se olha. Comecei a escrever pedaços deste post ainda durante a viagem e termino aqui no hostel. E, como devo ainda um post sobre as andanças lá pela costa leste, então falarei sobre New York City. San Francisco ficará pra depois…

 

NYC é, sem dúvida, uma das cidades mais interessantes que já visitei principalmente quando se trata de “vida urbana”. Foram duas semanas por lá. Ficamos na 14th Street, perto da Union Square, entre a 6 e a 7 Avenidas (ou seria entre a 5 e a 6 ? bom… é mais ou menos ali), em Manhattan. Uma localização bem interessante e um achado: vi o anúncio a craglist e entrei em contato com a dona do ap (uma jornalista, que não chegamos a conhecer pessoalmente, mas que pareceu muito gente boa). Ela ia viajar de férias e estava alugando por 75 dólares a diária. Um preço absolutamente em conta, pra um ap totalmente mobiliado e com toda estrutura à disposição, localizado entre a middletown (Times Square, Port Authority, Grand Station, etc) e a downtown (Soho, Chinatown, WTC…), com estação de metrô na esquina, podendo ir pra esses lugares a pé.

 

O que torna New York interessante é a diversidade de coisas pra ver e fazer na cidade e, principalmente, a plurarildade cultural: gente de todas as nacionalidades, etnias e línguas circulam por aquelas ruas. Restaurantes de todos os tipos, museus, parques (principalmente o Central Park, que não estava lá muito bonito porque era pleno inverno) e vida urbana intensa… Inevitável não querer comparar Nova York com outras grandes metrópoles de países ricos, como Londres ou Paris. Em relação a Londres ou Paris, New York é mais “modernamente urbana”, eu diria. Paris tem seus prédios medianos de arquitetura mais antiga, seus monumentos onipotentes, seus paços largos. Londres gira em torno do rio Tâmisa (Thames) o que dá um outro tom à urbanidade da cidade, seus pubs antigos, suas feiras tradicionais e prédios históricos que se misturam com construções modernas. Nova York, principalmente Manhattan, tem suas avenidas largas cortando a ilha de ponta a ponta (onde o tráfego transcorre e o comércio borbulha) atravessadas por ruas residenciais (que são relativamente calmas e têm pouco trânsito), formando os quarteirões com seus endereços absolutamente inteligíveis e ordenados numericamente (diferente do que ocorre no Brasil, com exceção de algumas cidades como Brasília). Depois que você entende a lógica da cidade, você não se perde.

 

Em um dos meus primeiros posts eu havia dito que, em Seattle, há uma cultura do “fazer a coisa certa”, onde a maioria das pessoas só atravessa a rua quando o sinal do pedestre está aberto (e mesmo que esteja fechado e não venha nenhum carro, a maioria fica esperando o sinal abrir). Isso não funciona em Nova York. As pessoas atravessam a rua com o sinal fechado sem nenhuma cerimônia (alias, as vezes parecem mesmo disputar com os carros). Simplesmente porque a dinâmica da cidade é outra: muita gente, muito carro, pouco tempo a perder… Essa “dinâmica” diferente dá a cidade a fama de “cidadãos mal-educados”.

 

Como todo grande centro urbano, falar em “uma cidade” acaba sendo uma generalização: Nova York comporta diferentes espaços, com diferentes ambiências e diferentes dinâmicas. A vida no Harlem (com suas casas antigas e igrejas gospel a cada esquina) é absolutamente diferente da Times Square (com suas luzes, painéis luminosos, lojas e trânsito intenso). Essa, por sua vez, é totalmente distinta da região do Central Park (com suas áreas mais residenciais…as vezes quase silenciosa), que é totalmente diferente do Soho (com suas ruas estreitas, lojas de grifes e gente lotando as calçadas), que é totalmente diferente da região financeira da Wall Street ou do WTC (com seus prédios modernos e concreto e vidros para todos os lado), que parece outro mundo quando comparada Chinatown (com seus letreiros em mandarim, comércio de bugigangas e restaurantes orientais de todos os tipos). Mas é justamente essa diversidade que torna a cidade interessante. E cada um desses lugares mereceriam um post, mas fica aí apenas uma menção para atiçar a vontade de quem ler pra por o pé no mundo.

Publicado por: sivaldop | fevereiro 25, 2008

On the road…

Deixando as lamúrias de viajante de lado, então falemos das peculiaridades, de algumas informações úteis e da paisagem neste coast-to-coast… Nem toda cidade norte-americana possui uma “rodoviária” que centraliza todas as saídas e chegadas de ônibus comerciais, do modo como conhecemos (algumas possuem, como Boston, Nova York etc. mas não parece ser uma regra como é no Brasil). Em boa parte das cidades que cruzei, as empresas é que possuem seus próprios terminais. Por isso, é recomendável se informar antes onde será a parada final do ônibus numa cidade “x” ou “y”. No caso de Nova York, o principal terminal rodoviário fica em (e chama-se) Port Authority, em Manhattan (a uma estação de metrô da Times Square). De Port Authority você consegue pegar metrô pra qualquer lugar da cidade. Em Boston, o principal terminal de ônibus é a South Station. Em Seattle, por exemplo, não há um terminal geral… Neste caso, a Greyhound, a empresa que peguei, tem um terminal próprio que fica na Downtown de Seattle (na Stewart Street).

 

Ao cair na estrada há alguns detalhes logísticos importantes: se você quer jantar ou almoçar “comida de verdade” durante a viagem, esqueça: só vai encontrar fast food em todo o trajeto (seja café-da-manhã, almoço ou jantar). Especialmente MacDonald’s: em qualquer lugar deste país, até mesmo no meio do deserto do Utah, encontra-se um MacDondald’s (devidamente padronizado). Chega a ser irritante. E, instintivamente, as pessoas comem isso durante toda a viagem e não parecem reclamar (eu comi, mas por pura falta de opção). Eis um típico posto de parada de beira de estrada norte-americano:

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Eu levei o laptop crente que, estando neste país, iria conseguir encontrar redes wi-fi na estrada pra conectar e, quem sabe, até escrever os posts durante o trajeto. Mas, pura ilusão: nenhuma rede aberta… nem mesmo um mísero computador de lan-house…nada. Então, se está pensando em mandar um e-mail da estrada, isso será uma tarefa árdua e praticamente impossível.

 

Entre uma parada e outra, ou melhor, entre um Macdonald’s e outro, havia, naturalmente, a paisagem. Como era inverno, peguei muita neve no caminho. Passei por pequenas cidades e vilarejos literalmente tomados pelo gelo:

 

 

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E o branco do inverno, majestoso e onipresente, cobria montanhas, pinheiro, lagos, rios e desertos. Aliás, uma paisagem inóspita, porém, belíssima:

 

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Em alguns trechos do deserto havia um vento forte que batia na lateral do ônibus e era possível ver pequenas “tempestades” de neve atravessando a estrada, com visibilidade bem comprometida. Aqui sim, a rodovia se tornava um pouco perigosa. No entanto há sinalizações eletrônicas avisando e também era comum ver funcionários limpando o trajeto. Nos dois vídeos a seguir, duas paisagens diferentes. No primeiro, a região do estado Washington, com muitos pinheiros e montanhas… E no outro, o deserto entre os estados de Utah e Colorado:

 

 

 

 

Mas nem só de neve se fez o caminho. Havia também belíssimas formações rochosas:

 

 

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Certamente, a existência de estações de ano bem definidas muda completamente o ambiente e a paisagem, o que tornaria a mesma viagem feita no outono ou no verão, por exemplo, totalmente diferente. Aliás, seriam outras fotografias. É interessante também notar (na verdade, lembrar) que ao falarmos de países como os EUA pensamos primeiramente em grandes metrópoles… cidades modernas… povoamento urbano intensivo. Mas boa parte do país é ocupado por cidadezinhas minúsculas perdidas no meio do gelo ou no meio do deserto, assim como há as nossas pequenas cidades perdidas no meio do Sertão, dos pampas ou da amazônia. Onde a vida passa lentamente… Interessante também ver a face dos viajantes. Conheci algumas figuras no caminho: um imigrante costarriquenho que vestia uma jaqueta com a bandeira dos EUA no ombro (e que dizia adorar este país…). Um artista da Philadelphia que estava voltando pra casa e que passava o tempo desenhando faces de indígenas norte-americanos (aliás, um belíssimo trabalho) e que parecia reclamar deste país; uma menina novaiorkina que morava no Missouri e que fumava dois cigarros seguidos em cada parada (como se quisesse estocar nicotina até o próximo break)… Um mochileiro que decidiu, de uma hora pra outra, ficar numa cidade e pegar o próximo ônibus… E cada um foi se dispersando no caminho. Ou por que tinha “itinerário” diferente (ainda que também fossem pra Nova York sendo obrigados a trocar de ônibus que fazia outro percurso) ou porque ficavam no caminho em seus respectivos destinos…E por falar em destino, no próximo post, escrevo sobre New York City.

 

Publicado por: sivaldop | fevereiro 23, 2008

O coast-to-coast ou… sofrendo na estrada

 

 

 

No final do ano passado, tirei férias de 20 dias, quando acabou o trimestre aqui (recesso de natal e ano novo). Eu e Juli, que também tava de férias, combinamos então de passar o natal e reveillon juntos em Nova York e depois viajar pra Boston e New Hampshire. Eu, que estou na costa do Pacífico, teria que atravessar o continente para costa do Atlântico. Como eu queria ver o país por terra (e não apenas pegar um vôo em Seattle e descer em Nova York) então havia a opção de ir de ônibus. Seria, sem dúvida, uma das viagens rodoviárias mais longa que fiz na vida até hoje: 3 dias, 3 noites. Sabia que ia ser cansativo, mas supunha que no final, valeria a pena (sem contar que economizaria uma boa grana já que as passagens aéreas no período estavam bem caras por causa da demanda de fim-de-ano). Assim decidi mesmo ir ônibus, porém, a volta seria de avião . O meu trajeto de ida (por terra) foi mais ou menos esse:

 

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O sistema de transporte rodoviário norte-americano é perfeito para quem viaja de carro. As “interstates” (que corresponde às nossas “br’s, digamos) são absolutamente impecáveis, sem buracos, expressas, bem sinalizadas e com pista duplicadas em 95% do trajeto que fiz no coast-to-coast. Não significam risco de vida, como acontece no Brasil (e como nem tudo é perfeito: muitos pedágios no caminho…). Mas, se você viaja de ônibus comercial, a coisa começa a ficar menos divertida. Eu estava preparado para um viagem longa e cansativa. Já fiz algumas muitas viagens de bus cruzando o Brasil (algumas, longas.. de quase 3 dias também… coisa que deixei de fazer há muito tempo). Mas não sabia que seria tão exaustiva. Primeiramente irei aos contras (este é um post de lamúrias…). Depois, num outro post, falarei apenas das curiosidades da viagem e das coisas interessantes. A questão é simples: o sistema de transporte rodoviário comercial (ônibus) nos EUA não é tão organizado quanto o nosso em se tratando de longas distâncias. Pois é… se você acha o nosso sistema ruim, então pague pra sofrer no sistema americano. Obviamente que a minha experiência vem de apenas uma empresa (aliás, uma das maiores) e em um período de rush (final de ano). Mas independente disso, a coisa é problemática. Primeiramente, nem sempre você tem um assento reservado no seu bilhete de passagem (a não ser que você queira pagar a mais por isso). Então você pega o assento que lhe convir (a depender da sua “posição”na fila de embarque). Segundo, em uma viagem longa como eu fiz, a troca de ônibus é insuportável. No Brasil você eventualmente troca de ônibus neste tipo de viagem. Aqui, você precisa pegar suas bagagens, sair do ônibus e esperar o outro pelo menos umas 3 vezes durante o dia. Isso parece um detalhe mas não é: quando você sabe que vai viajar durante 3 dias então você adota aquela poltrona como lar provisório, relaxa, ouve música, dorme, acorda, dorme de novo… e faz o tempo passar. Mas se torna impossível relaxar quando você sabe que em 5 horas terá de trocar de ônibus. E há casos de ficar aguardando 1 hora (cheguei a esperar até 4 horas ) pelo outro veículo no terminal. Resultado: cheguei a Nova York em trapos humanos, pé inchado, costas danificadas e nunca pensei que iria ficar tão feliz de ver o Empire State no fundo da ilha de Manhattan (the last stop) e saber que eu tinha uma passagem aérea no bolso.

 

Publicado por: sivaldop | fevereiro 19, 2008

Voltando aos poucos…

Faz algum tempo que não atualizo o blog. Desde antes do natal. Mas a razão é uma só: tempo. Desde os últimos suspiros de 2007 que meu tempo aqui se tornou uma briga diária contra o relógio. No final do ano, porque era fim de trimestre (quarter, como eles chamam) e, no começo do ano, porque começou um novo trimestre e aí veio um turbilhão de coisa: peguei uma disciplina, mais e mais reuniões do projeto que tô acompanhado e, pra piorar, muitos livros e textos na fila pra ler. Enfim, parar e escrever com calma pro blog acabou ficando sempre em segundo plano. Mas vou tentar atualizar a coisa. Até porque, acho que há coisas interessantes (ou pelo menos, curiosas) pra se comentar desde o último post. E também, algumas coisas úteis pra quem, por exemplo, vier um dia aqui por estas terras. Mas irei por etapas. Nos posts que virão vou tentar falar um pouco da experiência de cruzar este país (os EUA) por terra … o coast-to-coast, como em On the Road de Jack Kerouac (só que começando da costa oeste e de ônibus !). Foi o que fiz na ida de Seattle (que fica na costa do Pacífico) para Nova York (que fica no outro extremo, na costa Atlântica). Também tentarei colocar algumas fotos e alguns vídeos. Depois, falo sobre Nova York: impressões sobre uma das mais importantes cidades do mundo. Há muito o que dizer sobre NYCity. Há ainda Boston e New Hampishure (especificamente, estação de ski). Depois, falo sobre Vancouver, Canadá, pra onde estou indo neste fim de semana. Por fim, haverá ainda San Francisco, onde passarei minha última semana nestas terras. Aliás, já é quase hora de voltar. Tenho menos de 2 meses por aqui… E a primavera já meio que desponta timidamente… Ou, pelo menos, já se tem alguns dias de temperatura mais alta (tipo, 8 ou 10 graus). Mas enfim, sigamos adiante…

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Publicado por: sivaldop | dezembro 1, 2007

Neve…

 

Finalmente, nevou por aqui. A primeira neve neste fim de ano em Seattle caiu justamente no primeiro dia de dezembro. Fiz um singelo registro, ainda quando começou a nevar, da varanda da casa:

 

 

 

 

Essa não é a primeira neve que vi. A primeira foi há muito tempo atrás no Brasil, no Rio Grande do Sul. Nevezinha… coisa meio tímida. A neve aqui hoje durou acho que umas 2 horas seguidas…depois continuou a nevar levemente, intercalando. É interessante perceber que a neve deixa as pessoas meio felizes (riso). Provavelmente, porque isso remota à infância que vincula neve a “guerra de neve”, “boneco de neve” e natal (com seus presentes e ceia farta). No campus da UW o pessoal parecia criança brincando de guerrear:

 

 

 

 

Mas tenho certeza que essa alegria toda é só acontece no “primeiro dia de neve” do outono/inverno… A temperatura agora tá em 1 grau mas deve cair na madrugada indo abaixo de 0. Com aquecedor dentro do quarto, vive-se tranqüilamente. Mas vou precisar comprar uma luva nesses dias pq minha mão, que é normalmente fria com qualquer queda de temperatura, quase congelou lá fora (rrsrsr). Pois bem, enquanto vocês se aquecem no calor do verão que chega no Brasil, eu vou congelando por aqui… Deixo aqui algumas fotos que fiz do campus (e vou fazer uma sopa e estudar… porque neve, sopa e livros, tem tudo haver…)

 

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Publicado por: sivaldop | novembro 22, 2007

Thanks… give me…

Hoje é Thanksgiving por aqui. Por alguma razão que desconheço, achava que o Thanksgiving seria dia 26 (mas na verdade é na quarta quinta feira de novembro, ou seja, hoje). Nesta semana, meu orientador norte-americano e o pessoal do grupo que participo na universidade perguntaram onde eu ia passar o”holiday” e eu disse que talvez iria pra New York (porque estava pensando que eles se referiam ao natal ….rrsrs… coisa de estrangeiro desavisado). Ou seja, todos pensam que estou em NYC… Mas cá estou no meu quarto e não fui pra nenhum jantar ou coisa parecida. Mas hoje a noite encontrei um housemate na cozinha e acabamos tomando um rum que ele trouxe pra não passar em branco. Portanto,vos escrevo levemente embriagado. O Thanksgiving, ou o que chamaríamos de “ dia de Ação de Graça” em português, é comemorado mais ou menos como nós comemoramos o natal no Brasil: família reunida, sentimento de solidariedade no ar e mesa farta com muita comida e principalmente peru:

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É uma data forte na cultura norte-americana. O dia de Ação de Graça no Brasil é data absolutamente vazia (algo bem restrito a alguns universos religiosos apenas, nada que se compare a um evento generalizado, como é aqui). Embora no Brasil esta data esteja puramente ligada a uma influencia cristã, aqui também se faz do mesmo modo, porem, com um diferencial relevante: há um importante adicional histórico. Está intimamente ligada ao modo como os colonos ingleses se estabeleceram nos EUA. Tudo começou com os “pilgrims”, ou “peregrinos”. Um grupo de protestantes que saiu da Inglaterra sob um navio, em meio às perseguições religiosas da época, a procura de um lugar para morar onde pudessem exercer sua crença sem problemas. Estabeleceram-se primeiramente na Holada, onde não foram muito bem recebidos…depois, vieram para o Novo Mundo, especificamente para a colônia britânica nas Américas e fundaram uma vila chamada Plymouth Colony, que entraria para a história como a segunda colônia estabelecida nos EUA (depois de Jamestown, na Virgínia). Se no Brasil Pero Vaz de Caminha relatava para o rei de Portugal que “nesta terra, tudo em se plantando dá “, aqui não era bem assim. Em Plymouth, que é hoje a região de Massachusetts, boa parte dos colonos morreu de fome no primeiro inverno. Simplesmente porque nada do que foi plantado vingou. Não conheciam o clima e a terra e descobriram isso na pele, ou melhor, no estomago. Todos estavam condenados a morrer de fome nos invernos seguintes. Porém, sem muitas explicações, apareceu na colônia um índio que curiosamente sabia falar inglês (porque havia entrado em contato com outros exploradores ingleses). E essa aparição foi recebida como um milagre, um sinal de que Deus ouvira suas preces e enviara alguém para ajudá-los. E a partir daí os colonos de Plymouth aprenderam, com esse e outros índios, como plantar, o que plantar e quando plantar e isso possibilitou a sobreviência naquele novo mundo hostil. Assim, na primeira colheita bem sucedida durante o outono, os colonos fizeram um banquete em comemoração e agradecimento, ou, “Thanksgiving”, e os índios, como convidados especiais:

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Depois, como todos sabem, aqueles mesmos europeus que se transformaram em “norte-americanos” praticamente exterminaram os índios (como os portugueses e os espanhois também o fizeram em suas colônias):

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O tal banquete de thanksgiving continua existindo, mas os índios, nem tanto… Esses, talvez não têm muito o que agradecer…

Publicado por: sivaldop | novembro 17, 2007

A banda

Toda sexta-feira a noite a banda da Universidade de Washington sai pelas ruas do U-District tocando. Inevitável não saber, porque eles sempre param na minha rua. O som que eles fazem é surpreendentemente bom. Os tambores, a caixa, os saxofones, os trombones… não tocam como uma banda de fanfarra comum: tocam colocando muita carga musical na bateria e no saxofone. E fazem versões de músicas conhecidas… fica bem interessante. Fiquei imaginando eles tocando no carnaval de Olinda (rsrs). O pior é que iam fazer sucesso (ouçam com atenção a bateria). Além disso, o pessoal fica meio alucinando… (riso). Quem puder, veja o vídeo que fiz até o final (vejam o detalhe dos caras levantando as meninas pelo pés):

 

 

 

Obviamente que as imagens e o som não ficam lá grande coisa, feitas sem luz, a noite, por uma câmera cybershot. Mas dá pra ouvir e ver mais ou menos. A banda geralmente toca na abertura de jogos, principalmente football americano (eles tem quase um fanatismo pelo time da universidade… os Huskies). Aliás, o “huskie”(siberiano…) é o mascote da UW.

Publicado por: sivaldop | novembro 11, 2007

Máquinas, simbiose e cultura do descartável

Em boa parte daquilo que se chama “países desenvolvidos” a presença das “máquinas” (mecânicas, elétricas, eletrônicas ou digitais) não é apenas uma presença significativa, mas é sobretudo, tão incorporada no dia a dia que, olhando de dentro, quase nem notaríamos. É como ar, como oxigênio: está tão difundido ao nosso redor e é tão incorporado à nossa sobrevivência que simplesmente esquecemos que ele existe. Obviamente que isso acontece em países como o Brasil mas de forma bem mais reduzida e diria, bem mais setorizada: não é tão introjetada na cultura de todas as classes sociais (por questões financeiras, óbvio). A presença das máquinas é forte na Europa, principalmente em países como Inglaterra e Alemanha (países como a França um pouco menos) mas é muito forte aqui nos EUA. Você vai encontrar máquina pra tudo e pra todos os gostos e utilidades mais sutis. Por exemplo, um mini-ferro de passar roupa para viagem (algo um pouco maior que um celular); mini-aparelho para tirar “fios” de blusas (aqueles fios que ficam sobressaindo do tecido); panela de cozinhar elétrica; mini-liquidificador para viagem e até um “cinzeiro elétrico” que suga a fumaça do seu cigarro enquanto você fuma e evita que o cheiro se espalhe pelo quarto:

 

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Porém, alguém poderia contra-argumentar: é possível achar essas pequenas parafernálias se procurar no Brasil, oras!. Sim… Mas não com tanta facilidade, ali no supermercado da esquina. E quando você sair do caixa do mercado vai ainda se deparar ainda com máquina pra “trocar dinheiro por moedas”, uma “maquina para locar dvds” e antes de entrar no mercado teve que usar uma “maquina” para tirar o seu ticket para estacionar na rua”. E o mais interessante é que, as vezes, a máquina é mais barata do que o seu “similar pré-moderno”como por exemplo, é o caso da panela: vc compra a tal panela elétrica por 15 dólares e vai pagar o mesmo ou até mais caro por uma panela de alumínio do mesmo tamanho. Não é que o norte-americano goste de tecnologia: ele simplesmente não saberia mais viver sem ela. O baixo custo das máquinas é um diferencial importante aqui. Ter ou não ter carro, por exemplo, é uma questão de opção, não necessariamente de falta de grana. Você compra um carro usado em perfeitas condições de uso por 1500 dólares (aliás, mais barato inclusive), o que em termos proporcionais seria um salário-mínimo e um pouco mais. Nas casas, óbvio, há máquina pra tudo e aqui em Seattle dificilmente você vai encontrar um varal com roupas estendidas em um quintal ou em um apartamento. Pra isso existe a máquina de secar que não é tão comum nas casas brasileiras e que geralmente vemos mais em lavanderias. A forte presença das máquinas, conciliada com uma cultura de consumo e o baixo custo de aparelhos acaba gerando uma “cultura do descartável”. Todo mundo já ouviu alguma história sobre “aparelhos” em bom estado de uso que se acha facilmente nos lixos do Japão ou dos EUA. Outro dia, um colega contou que estava chegando em casa e viu um monitor de computador aparentemente em perfeitas condições em cima da lata de lixo. Na tela do monitor havia um papel colado (tipo recado deixado pelo ex-dono para potenciais interessados) escrito: “It’s working”. Ele levou pra casa e hoje as crianças usam para jogar video-game. Por fim, ainda falando em “cultura” vale registrar a “cultura do headphone” que percebe aqui, principalmente entre pessoas de gerações mais recentes, ali entre os 14 e os 40 anos. Isso também é crescente em cidades como São Paulo no Brasil, mas aqui – principalmente no U-District que é um bairro universitário – é praticamente uma regra: 70% das pessoas andam na rua com um headphone acoplado no ouvido (inclusive eu…).

 

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Isso simboliza bem essa relação simbiótica entre homem-máquina miscigenada com a cultura do ‘individualismo” (cada um no seu mundo, com sua máquina). Lembro que quando estava em Londres houve uma festa na estação de Liverpool que ocorria da seguinte forma: centenas de pessoas ficam dançando no meio do saguão principal da estação porém, sob silêncio. Isso porque a idéia da festa era não haver música “coletivizada”: os participantes usavam seu iPode, mp3 com seu headphone, dançando junto com os outros, entretanto cada um ouvia a sua própria música. No mais, fica aquela pergunta que se tornou clássica nesse início de século XXI: O que é a Matrix ?

Publicado por: sivaldop | outubro 29, 2007

Halloween x Saci

Dia 31 de outubro é dia de Halloween por aqui (ou, “dia das Bruxas”, como ficou traduzido pra nós).  Há um ano atrás, coincidentemente neste exato dia, eu chegava em Paris.  Só descobri que era Halloween no hostel porque entrei no quarto e me deparei com uma menina da California com um bigode postiço se produzindo pra festa.  E perguntei porque ? E ela me disse, meio surpresa por eu não saber: É dia de Halloween ! (se fosse carnaval, certamente eu saberia… ). Por aqui as festas em torno deste dia já começaram desde a semana passada.  Há lojas  específicas pra isso e algumas se transformam pra vender todo tipo de fantasia, principalmente de seres sobrenaturais (como monstros, bruxas, vampiros etc).  E as crianças, obviamente, adoram:

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Nós não temos essa tradição no Brasil (quando ocorre, vem da influência anglo-americana, principalmente).  Segundo alguns historiadores, a festa tem origem celta ( povo que habitava parte da Europa, incluindo as regiões onde hoje estão a Inglaterra, Irlanda e Escócia antes da invasão romana).  Marcava o fim de um ciclo anual e a passagem para um novo ano no antigo calendário celta.  Representava o começo do “período de frio denso, noites mais longas e pouca comida”(o que se poderia chamar de “inverno”).  Também é o dia em que se abria um portal entre o reino dos vivos e o reino dos mortos.  Para o povo celta, no dia 31 de outubro os mortos vinham ao mundo dos vivos visitá-los.   Então, receiosos dessa visita,  os vivos se fantasiavam (se “camuflavam”) de criaturas sobrenaturais para “confundir” e “despistar” essa visita indesejável… Obviamente que a festa sofreu muitas mutações e aculturações durante todos os séculos.  Perdeu esse tom religioso, atravessou o Atlântico e caiu nas graças da indústrica cultural.  Comparativamente, o dia de Halloween seria para nós uma mistura de “dia de Finados” com “carnaval”  (riso),  tosco modo, claro.  Mais próximo disso, no México, comemora-se o  “Dia de Muertos”, que é o nosso “dia de Finados”, porém, há um tom menos pesado e mais festivo (lembra-se os mortos mas, ao mesmo tempo, há uma certa ênfase na comemoracão da vida, com bebidas, comidas etc).  No Brasil há um movimento contra a influência do dia de Halloween no país.  Propõe-se que, no dia 31 de outubro seja comemorado o “Dia do Saci”.  O movimento chama-se “Sociedade dos Observadores de Saci”  ( http://www.sosaci.org ).  Há uma verdadeira campanha, com manifesto, arquivos, imagens e até um abaixo-assinado onde se diz:

“Por que “raloins”, duendes e gnomos? Nós, brasileiros, temos nossos próprios mitos, que não ficam nada a dever a esses importados, comerciais, que são usados para anestesiar a auto-estima do nosso povo. Respeitamos os mitos dos outros, mas não queremos que eles sejam usados pela indústria cultural como predadores dos nosso”.

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Assim, o “Dia do Saci” já foi promulgado no Estado de São Paulo (através de Lei Estadual) e também nos municípios de São Luiz do Paraitinga (SP), São José do Rio Preto (SP) além das capitais São Paulo (SP) e Vitória (ES). Seria isso um ufanismo nacionalista do tipo Policarpo Quaresma ou seria uma idéia razoável para se valorizar e resgatar a mítica popular brasileira ?  Bueno, cada um que tire suas próprias conclusões.  Por via das dúvidas, um feliz Halloween pra quem esta por aqui e um feliz Dia do Saci, pra quem está por aí.

Publicado por: sivaldop | outubro 23, 2007

O referencial…

Hoje fez o dia mais bonito, mais quente e mais colorido deste outono em Seattle.  Incríveis 20 graus, com céu absolutamente azul. Nenhuma nuvem acima das nossas cabeças. Pessoas na rua com pouca roupa, gente deitada na grama, nos pátios ao ar livre, o comentário geral era: It’s a beatiful day ! 

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Fui de manga-curta pra universidade e voltei pra casa sem precisar tirar a blusa amarrada na cintura.  Quase um evento (rsrrs).  Lembro que no inverno de 2005 houve um dia com a mesma temperatura em Salvador (especificamente,  19 graus).  Porém, a reação era inversa: pessoas na rua com blusas e mais blusas;  gente reclamando do frio;  notícia nos jornais… um evento também, só que de modo contrário (riso).  Pois é… tudo depende do nosso referencial.

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